Tuesday, June 30, 2009

Mesmo tão tarde da noite, com os olhos cansados da visão da vida, e as costas pesando do peso das desilusões que carrego na mochila, vim para lhes contar. Contar como o desnecessário se fez sublime e adentrou janela adentro, mesmo com a minha cortina fechada. Vim pra lhes dizer, que o sol nasce amarelo e se põe alaranjado e as nuvens ficam levemente cor de rosas. Vim para lhes dizer que eu freqüentemente ando em círculos e, quem sabe, para provar que minhas teorias ligeiramente pessimistas a respeito da vida muitas vezes se comprovam....mas falo isso não com um ar de pesar ou tristeza, mas sim um ar de que eu não evitei o inevitável...mas eu esperava por isso...

Não sei como vou acordar amanhã, sei também que isso não é do interesse de todas as pessoas que acabam por aqui..mas mesmo assim escrevo porque quando escrevo eu me torno essencial, eu me torno necessária...eu olho para um espelho traduzido em palavras e fico calma quando as leio. Mesmo sabendo que aparentemente nada do que escrevo aqui faz sentido para quem vê de fora...fico feliz porque estou fazendo sentido para mim mesma...como se murmurando pensamentos em voz alta no meio da biblioteca abarrotada em épocas de provas. Um momento egocentricamente meu...egoisticamente meu...um momento meu que eu roubo de um momento de todos

Sou uma pessoas altamente sensível, no sentido que recebo facilmente as sensações externas, e que nessa minha sensibilidade...tudo que recebo revira muitas vezes tudo em mim de cabeça para baixo....talvez isso explique porque em grande parte do tempo eu me sinta meio caótica.

“ há meros devaneios tolos a me torturar” hoje eu te cantei isso....sentada na grama olhando para as plantas para não te encarar. Você não entendeu, não tinha como entender...e jamais entenderá...e fico feliz e relaxada com isso..quem sabe segura! Me escondo porque tenho medo...medo que zombes de meus devaneios tolos. Mas ao mesmo tempo...creio que me escondo na linha de frente de uma batalha que eu racionalmente não quero lutar, mas como sou um ser regido por emoções...cá estou, mesmo sabendo que a derrota é iminente,

Quem chegou aqui até o final....meus parabéns.....se você leu apensar essa linha, não se preocupe com o conteúdo do meu texto...ele fala apenas de meros devaneios tolos que me torturam.

Beijos..abraços...e a sublimidade de um algodão doce. No mais, “estou indo embora, baby”....


(04/05/2006)

Wednesday, April 22, 2009

“E quando tudo parou, não neguei um suspiro.”

Eu, dentro do carro, estacionada em frente à faculdade, comia distraidamente uma banana. Chovia. Eu brincava com as gotas de chuva que caiam no vidro. Imaginava qual delas chegaria primeiro ao final dele. Olhava as coisas passando, as pessoas, os pássaros, e um grupo de três policiais militares de braços cruzados na beirada da calçada que levava à entrada da universidade. Nesse momento, no canto esquerdo do vidro da frente do carro, à minha esquerda para ser mais exata, surgiu um rapaz. Ele tinha um casaco xadrez bege amarrado á cintura, cabelos cacheados e meio emaranhados, usava um short, tênis branco sujo e meias um pouco abaixo da canela.
Não sei o que houve, mas não consegui mais tirar os olhos dele. Parei de comer a minha banana e esqueci de mastigar o pedaço que estava em minha boca. Ele andava leve, indiferente aos impertinentes pequenos pingos de chuva que caiam. Eu passei a observar cada passo, cada sutil movimento seu, como um filme em câmera lenta. Nessa sua sutil leveza, o vi tirando uma gaita do bolso. Ainda nessa leveza, levou a gaita à boca, envolveu-a com as duas mãos em formato de concha e resumiu todo aquele momento em firmes, ao mesmo tempo em que suaves, notas musicais.
Naquele instante tudo mais parou, a única coisa que se movimentava era o rapaz, atravessando o espaço delimitado pelo vidro da frente do meu carro como se fosse a moldura de um quadro. A música servia de tinta. Já nem me lembrava mais que, alguns segundos atrás, comia esfomeadamente uma banana. Os policiais, que antes se ocupavam em murmurar entre si alguma fofoca, algum comentário para passar o tempo, calaram-se ao mesmo instante. Com os olhos, perseguiram aquele rapaz, como que o culpando por causar uma paz instantânea e sublime para aquele local, como que dizendo : “saia daqui rapaz, sem a desordem não temos trabalho. Se você ficar aí distraindo as pessoas com essa música, não teremos a quem prender, e seremos demitidos”. Eles o analisaram de cima abaixo, procurando qualquer sinal que fosse o suficiente para prendê-lo. A sua roupa meio desalinhada, seu cabelo despenteado, seu olhar displicente ou sua leveza momentaneamente sobre-humana, qualquer coisa que eles pudessem alegar como infrações à lei. Não encontraram nada. Naquele momento perfeito, nem eles conseguiram achar defeito.
Ele continuou caminhando e tocando, até que sumiu de minha visão. Por todo esse momento, senti-me como um ratinho vitima do flautista de Hamelin, indefesa ao som de sua música. Tentei voltar a ver a sua imagem, nem que fosse no canto do meu olho, ou ouvir as suaves notas de sua gaita, ainda que estivessem quase inaudíveis. Mas não consegui, aquele momento se havia acabado. O quadro pintado no vidro do meu carro, foi lavado pelas gotas de chuva que ainda corriam. Os policiais voltaram a fofocar e eu terminei de mastigar o pedaço de banana que ainda estava em minha boca. Soltei um longo suspiro, tinha esquecido de respirar. Abri a porta do carro de deixei que as gotas me molhassem.

13/11/2006

Saturday, April 11, 2009

Amor-zumbi




Acredite, amor também morre. Até aquele pra sempre. Principalmente aquele pra sempre, esse é o primeiro a morrer. E graças a Deus ele morre. Não digo que morre assim, pá pum, de uma vez, igual bandido tomando bala de PM no morro do Rio (ou vice versa...) Antes fosse assim. A vida de todo mundo, creio, seria mais fácil. Bem mais fácil.
Mas o que acontece é que amor é uma categoria especial de zumbi. Vira e mexe, quando você acha que o dito cujo finalmente passou dessa para uma pior, ele volta e agarra no seu pé. Mas não se preocupem, e só mirar na cabeça, desmembrar e queimar. Uma leitura muito recomendada nesses casos de amor zumbi é “O guia de sobrevivencia aos zumbis”.
Mas desde já posso dar algumas dicas, pois creio que todo mundo um dia vai ter problemas com amor-zumbi. Primeiro, por mais que o zumbi pareça em tudo com a pessoa que um dia você amou, não se esqueça, ele continua sendo um zumbi e a coisa mais importante a se fazer essa hora é: não escute o que ele fala! Todos os amor-zumbis têm o mesmo discurso : desculpa, não queria te deixar triste, eu ainda te amo, você é a razão da minha vida, eu ainda quero passar o resto da minha vida com você..bla bla bla, grunhidos indecifráveis bla bla bla...e coisas que normalmente não fogem desse padrão. Mas isso é uma tentativa do zumbi te distrair para se aproximar de você e comer o seu coração ( amor-zumbi come coração e não cérebro como os outros tipos de zumbis). Repito, não dê ouvidos ao que ele diz e nunca, NUNCA, tente argumentar ou entender o que ele diz. Não se esqueça, ele é um ZUMBI. Zumbis não falam coisa alguma com sentido. Argumentar é pedir para morrer e ter seu coração arrancado A melhor coisa a fazer sempre é atirar, esfaquear, arrancar a cabeça e queimar.
É, não digo que vai ser tão fácil assim. Mas você sempre tem que ter em mente que é uma questão de sobrevivência. Por mais que doa arrancar a cabeça do zumbi da pessoa que você amou tanto um dia e depois queimar o corpo esquartejado na fogueira, garanto que você se sentirá muito mais feliz e seguro logo em seguida.
Outra coisa muito importante para se fazer é se livrar de todas as coisas que o zumbi, ainda em vida, deu para você. Jogue tudo fora, melhor queimar tudo na verdade. Não há como ter certeza de que as coisas não estão contaminadas com um vírus zumbi temporariamente inativo. Melhor prevenir do que remediar. Fotinhos, bilhetinhos, presentinho, bichinhos, cartinhas...se livrem o mais rápido possível de todos os inhos e inhas.
Depois de todo o serviço bem feito, agora você pode descansar. Faça um pequeno luto, mais ou menos 10 minutos em memória ao defunto. Pode até chorar, mas não muito. Tenha sempre em mente que o que você matou era um amor-zumbi, e não um amor de verdade. Não tem lá muito sentindo ficar chorando por um zumbi que há pouco tempo atrás estava correndo e espumando querendo arrancar e comer seu coração.
E de resto, aproveita o que a vida ainda tem para te dar! Que é muita, mas muita coisa mesmo! Mas lembre-se sempre de andar com seu “O guia de sobrevivência aos zumbis” no bolso....você nunca sabe bem quando seu proximo amor vai virar um zumbi.

Tuesday, March 24, 2009

Santa Chuva

Vai chover de novo
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade...


Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...

Tuesday, February 10, 2009

Procurando meio assim
Sei eira nem beira
No sol das sombras
Seu sussurro aconchegante

Mas você não estava mais lá...


...... nem eu.

Saturday, February 07, 2009

Não, a gente não morre.

Não, a gente não morre. A gente quer morrer, mas a gente não morre. A dor é tanta, mas tanta, que seria muito melhor se a gente morresse. Mas a gente não morre. Tudo dói, as nuvens, o vento, o sol, as estrelas, o ar, o céu, o universo...a vida dói. Mas a gente não morre. O que mais dói, talvez, sejam as lembranças, essa coisa etérea e imaterial e quase incompressível que nos faz desatar em prantos homéricos, dignos das maiores tragédias gregas, dignos dos filmes mais cults desconhecidos da década de 80. Toda a noção de anatomia se faz perdida. O coração para no estômago, e cérebro desce pro coração, os intestinos viram do avesso, os olhos quase viram água de tanto chorar, mas, talvez por um milagre, contrariando a ciência, a gente não morre. Dormir é difícil, mas ficar acordado é pior ainda. A gente se torna um zumbi, naquele limbo da vida onde tudo perde a cor, onde olhos só ardem, secos de tanto lagrimejar, 80% de água do nosso corpo de esvai em lágrimas, a cabeça dói, pulsa pura dor. Mas a pior reside no peito, aquele vazio que parece que vai afundando, afundando, até você ser totalmente sugado para o escuro do seu próprio ser. Sem falar nos surtos de medo, medos da sombra que nos seguem na rua, a sombra do ex amado com um futuro amor. Mas não se preocupem, a gente não morre.
Por mais que a gente lute contra, o sol vai nascer, dia após dia, e o mundo, por mais que a gente não aceite, vai continuar sendo um lugar bonito para se viver. Os órgão tomam os seus devidos lugares, as flores começam a voltar com suas cores lindas e brilhantes, o vento sopra e faz nossa alma voar leve novamente. O mundo não é mais um borrão de lágrimas e a gente reaprende a sorrir.
Não, por mais que ficar sem a pessoa que a gente ama seja quase como morrer, relaxe. A gente não morre, pelo contrário, nos tornamos muito, mas muito mais forte. Fortes pra continuar andando nesse mundão véi de Deus.

Wednesday, January 21, 2009

Alí.

Um pouco mais pra esquerda.
Agora pra cima.

Isso.

Abre um pouco.
Embaixo.

Ok.

Belo sorriso que tem.

Monday, January 12, 2009

Mosquito da saudade

Saudade é aquela coisa meio besta. Quem vem assim, sem mais nem menos, quando você está menos esperando. Saudade é aquela coisa assim meio à toa. Parece mosquito tonto. Daqueles bem chatos. Que zumbem, zumbem e por mais que a gente tente ignorar, uma hora ou outra ele vai, sim, acabar pousando dentro do seu ouvido ou te picando bem atrás da dobrinha do joelho.
Estava lá eu, na minha pacata vida, no olhar abestado da neve caindo da janela, não querendo pensar em nada, sabe? E foi desse meu abestalhamento que ele tomou proveito, o mosquito tonto da saudade. Pousou dessa vez bem dentro do meu olho e a única coisa que me restou foi começar a chorar pra ver se eu mandava o maldito embora. Chorei, chorei, chorei.
Chorei de saudade do que foi, do que é o do que ainda vai ser. Esses mosquitos são meio perigosos, sabe? Todo mundo que é atacado por eles fica assim meio bobo, chorando à toa pelos cantos, chorando vendo foto, chorando lendo carta, e-mail, vendo o sol, a lua....Tanta gente morrendo de sede eu aqui jogando água pelos olhos! Mas será que dá pra beber essa água que vai dos olhos? Pena que é tão salgada....Senão o problema do Mundo tava é resolvido, era só todo mundo começar a chorar de saudade que acabava com o problema de falta d’àgua a torto e a direito. Por que saudade todo mundo tem de sobra, né não?

Monday, November 17, 2008

Você, meu senhor, por acaso tem todas as respostas?

Ele bateu na minha porta, na minha porta. Era domingo e eu não esperava visitas. Achei que era alguém pedindo comida, dinheiro...
Me surpreendi. Quando abri a porta e antes de abrir a boca para lhe dizer que fosse incomodar o vizinho, ele foi mais rápido e perguntou-me : "Você tem respostas?" Fiquei em silêncio. Observei-o estagnada, de cima para baixo, não me lembro se estava bem ou mal vestido, não me lembro da cor de seu cabelo, olhos ou pele. Lembro-me somente do meu reflexo nos seus olhos, minha cara de espanto.
Dei-lhe um prato de comida, água e todo o dinheiro que eu tinha no bolso. Ele negou. Tudo. Fiquei ainda mais pasma. Absurdo!! Senti-me só, insultada, triste e com medo pois eu tinha tudo, menos o mais importante, as respostas. Odiei-o por alguns minutos pois nunca havia me sentindo mais vulnerável em toda a minha vida! Ninguém teria o direito de chegar em minha casa, em pleno domingo, e soprar meu castelo de cartas tão cuidadosamente montado durante anos. Preferia andar nua em frente a uma multidão. Antes de eu abrir a boca para insultá-lo e fechar a porta na sua cara, ele segurou minha mão de uma maneira suave, como que me acalmando e me disse: "ache as perguntas. Depois pense nas respostas." E Partiu. Virou o corredor e sumiu. Fiquei perdida mas ao mesmo tempo me sentia mais calma. Água quente nos pés cansados, não resolve mais ajuda.

Saturday, November 15, 2008

Só

Não, não me falem. Hoje, somente hoje, não lhes falarei. Guardo minhas palavras, o ressoar da minha voz, para mim mesma. Hoje, somente hoje, não abrirei a janela, não sairei de casa, não atenderei ao telefone. Hoje, darei atenção as minhas paredes, não ás paredes que me cercam fisicamente falando, mas minhas paredes da alma. Hoje farei a minha reforma, colocarei alguns quadros bonitos, consertarei algumas rachaduras aqui e ali, passarei a vassoura embaixo da cama e colocarei pra fora um lixo recheado de lembranças antigas e doloridas. Hoje, abrirei minha janela e afinarei meus ouvidos para escutar o que eu me tenho a dizer. Faz tanto, mas tanto tempo, no não tenho tempo pra me ouvir cantar, respirar, chorar, sonhar. Hoje darei aquela boa espreguiçada e deixarei meu corpo se estender preguiçoso embaixo das cobertas de sonhos quentes e macios. Foi colocar tudo no lugar e hoje, somente hoje, escolho ficar sozinha para poder ficar um pouco a mais comigo mesma.

Saturday, April 12, 2008

Um quê.


Ele tinha um quê de paz torta dos homens. Andava cabriolado por entre as luzes da calçada, chutando qualquer lata no meio do caminho. Usava um terno preto e uma gravata azul que pendia em seu pescoço como um pêndulo marcando o tempo que faltava em sua vida, ou o tempo que sobrava. “Tudo é relativo, ele pensava” enquanto passava pelo parque e sentia inveja do mendigo que dormia no banco coberto por jornais. “Pelo menos ele não tem que pagar conta de luz por todas essas estrelas que iluminam o seu céu. Sem falar que nem precisa assistir jornal para se manter informado, mais envolto em notícias que ele, impossível.”

Ele tinha um quê do buquê murcho de rosas e margaridas que carregava na mão direita. Hora e outra, ele parava debaixo de um poste e cheirava as flores. “As flores de plástico não morrem”, cantarolou baixinho para si mesmo.

E daí, meu caros leitores, que ele tenha hipnotizantes olhos furta-cor? Debaixo de seu terno já sujo e desalinhado, tinha um corpo cansado e uma alma frustrada de viver dia após dias onde o sol nasce sempre amarelo, o céu quase sempre é azul e bandinhas com guitarras coloridas sempre tocarão em bares ûndergraundi. De qualquer forma ele nunca vai ouvir a resposta adequada para suas perguntas. Talvez porque ele não saiba fazer as perguntas certas, ou quem sabe as respostas não existam nessa dimensão ou não são emitidas em uma freqüência captada por seus ouvidos humanóides. Quem sabe se ele tentasse perguntar àquele cachorro, que dia após dia se senta debaixo da mesa do buteco nosso de cada dia, obtivesse as respostas que tanto anseia? Os Totós ouvem melhor do que a gente na maior parte do tempo.

O fato maior entre todos os fatos, é que essa noite ele poderia chutar o Totó que possuísse as respostas para todas as sua perguntas em troca do buquê que ele carrega na mão direita estar agora num vaso verde e branco com detalhes vermelhos e com água até a boca, em troca de possuir não um quê da paz torta do homens, mas possuir um quê dos caos absoluto dos enamorados.

Mas a vida não funciona assim, né? E lá vai o homem cabriolado, ora fugindo da luz e correndo para sombra, possuindo um grande quê dos rejeitados.

Friday, April 11, 2008

Respirações


Respirações presas, pausadas e profundas. Parece-me, às vezes, difícil de respirar, talvez, quem sabe, porque eu queira respirar o mundo inteiro numa só golfada de ar. Encho o pulmão, abro a boca para tentar respirar o mais fundo que puder e paro. Paro de respirar. Agora tenho, aqui dentro de mim, partículas do mundo que tanto anseio. Elas agora fazem parte de mim e não quero deixá-las mais sair. Mas elas lutam, querem voltar para o mundo. Quando egoísmo meu querê-las só para mim! Elas ainda têm que percorrer tantos lugares, fazer parte de outras tantas pessoas. Se elas ficassem só para mim, perderiam sua mágica de pertencer ao mundo todo. Vou soltando-as devagar, sentindo-as passar pela minha boca e pelo meu nariz. Sentindo o gosto e o cheiro que cada uma trás. Cheiro dos ventos das montanhas mais altas, gosto da cor das flores mais azuis, cheiro do seu corpo junto ao meu, gosto dos seus olhos em mim, cheiro de mar, gosto de rio, gosto do som do canto de todos os pássaros. Vou sentindo e apreciando cada cheiro e cada gostinho, me despedindo de cada um desses pedacinhos de mundo. Pulmão vazio é o ar que se esvai e o mundo que me deixa. Só. Só comigo mesma. Mas dessa vez não tão mais só porque sei que pedacinhos deste mundo correm agora em minhas veias e que pedacinhos de mim andam agora pelo mundo, em lugares que, de outra forma, eu não poderia visitar. A solidão não dura muito, aspiro o ar novamente e ganho o mundo inteiro.

Wednesday, August 22, 2007

Culpado

Foste fria
Mas mesmo assim fui te ver,
Até uma flor levei,
Mas não estavas.
Tentei falar contigo,
Mas não respondeste.
E agora
A flor murchou
E eu com ela...



(Poema bem inveridico na parte final, porque na verdade eu nao murchei, e por isso a flor tmb nao. Ando numa fase muito nao sei, mas sei que gosto muito dela e que estou magoado...)

Monday, August 13, 2007

Foi assim...

Que eu fell in love por ela...

=]

Friday, June 29, 2007

Às vezes fico um pouco revoltada com diversos discursos moralistas que vejo por aí: “nossa, para onde o mundo vai? As pessoas não se respeitam mais, os filhos não respeitam mais os pais, o marido não respeita mais a mulher etc etc etc”. Isso para mim não passa da nossa mania de acreditar que o passado sempre foi e sempre será melhor do que o presente. É só parar e pensar com calma, quando foi que o mundo foi uma maravilha para se viver? Quando os reféns de guerra eram empalados na frente dos castelos e aguardavam uma morte lenta enquanto os urubus bicavam seus olhos? Quando a Igreja queimava milhares de pessoa nas festas juninas medievais? Quando você poderia ser morto dormindo ao ver sua casa invadida por romanos, gregos, turcos, qualquer um que seja??Quando você poderia morrer em uma câmara de gás só porque era negro, judeu ou homossexual? Quando você seria obrigada a usar um cinto de castidade de ferro toda vez que seu marido resolvesse viajar para dormir com prostitutas nas cidades vizinhas? Quando a sua morte poderia ser por apedrejamento só porque você resolveu descontar todas as vezes que seu marido te chifrou? Ou quando pessoas são queimadas e espancadas em paradas de ônibus ? Para mim, o mundo sempre foi essa bosta que é hoje, sem tirar nem colocar absolutamente nada. Agora por que isso? Oras, simplesmente porque todas as sociedades são feitas por seres humanos, que são seres no mínimo 50% podres na maior parte do tempo. Na minha visão reducionista eu diria que todo esse comportamento depravado é quase que totalmente genético, porque não é possível um que ser vivo seja tão cruel, burro e estúpido simplesmente porque quer.

Ok...desabafei....vou continuar estudando Biologia Molecular agora.

Thursday, June 28, 2007

Perfeição (??)

Assustei-me com sua perfeição
Sua pose politicamente (in)correta
Sujeita a minha (im)perfeita correção

Monday, May 21, 2007

Renuncia

Renuncio o universo por ti
Renuncio tudo para poder estar perto de ti

Mas de que adianta, se tu não queres estar perto de mim?
De que adianta eu te olhar se não me olhas de volta?

Renuncio...

Thursday, May 10, 2007

I fell in love

I fell in love....

I... fell in love...

I saw you...

And I fell in love...

I felt so much pain, but I love you...

I you said 'It's not true'

And I fell in love with you - even more

You said it won't work out...

So I fell deeper
into the chasm

And loved you even more...

--------------

Today I'm so blue
Don't wanna be this way
I wanna love you
And Smile the blue away...

Just say,
There might be another chance
And all will be ok.

Monday, April 23, 2007

Detalhes

Já não sei mais
Em que ponto me perdi
Só sei que de todos os detalhes
Só você me fez sorrir

Sunday, April 15, 2007

O espetáculo do eclipse

( já que ninguém atualiza, farei desse canto um refúgio )

O Espetáculo do Eclipse

O cenário estava montado. As pequeninas estrelas eram lamparinas prontas para iluminar o espetáculo. Todas em seus lugares, sem ofuscar, sem cegar os espectadores. Naquela noite elas não seriam as estrelas, seriam apenas coadjuvantes. A verdadeira estrela do show seria a Lua.

Ela estava perfeita. Uma dançarina pronta para um grande espetáculo, com todo o seu glamour, seu brilho...Sua leveza. Reinava soberana por aquele céu escuro. As nuvens encobriam a visão a principio, mas naquela noite elas nada seriam senão cortinas para impedir que a surpresa do espetáculo fosse revelada antes da hora. Foi então que a música começou, lenta, calma e silenciosa...Silenciosa como o universo deve ser. Onde nada ecoa, nada faz barulho para não atrapalhar o espetáculo.

Dado o sinal de inicio, as nuvens se abriram e a grande estrela Lua começou a bailar. Bailava solitária, tentando esconder a tristeza da solidão atrás do seu brilho. Bailava, a musica silenciosa ecoava no vazio e a estrela Lua bailava. Bailava perdidamente, tento todo o céu como palco, todo o universo infinito para dançar. Mas ela estava sozinha. De que adiantaria todo o brilho, todo o universo, todas as estrelas a iluminando se ela estava sozinha?

Assim ela parou, parou de dançar e chorou. As nuvens voltaram, encobriram a estrela. Ela tinha que se recuperar, o show deveria continuar. As pequenas lamparinas estrelas continuaram firmes. Formavam divertidos desenhos nos céus para distrair os telespectadores. Desenhos de escorpião, de caçador, de cães, de baleias, de camaleão, de cisnes, de peixes...Uma infinidade de figuras criadas há milhões de anos atrás e que foram desvendadas e nomeadas pelos homens com o passar do tempo.

A Lua então parou de chorar e voltou a dançar. As nuvens reabriram para espetáculo continuar. Depois de dançar sozinha por um longo tempo, a lua se cansou. Foi aí que apareceu um par para acompanhá-la. Porém ele era tão misterioso que a Lua somente via sua sombra. Assim mesmo aceitou o convite e estendeu a mão para ele. Eis que nesse misterioso ser, a Lua descobriu um perfeito dançarino e os dois juntos bailaram por um longo tempo. Dançaram muito, dançaram de tal forma que a estrela Lua sentiu se totalmente cativa pelo ser misterioso e este se viu totalmente atraído pelo brilho que a menina Lua emanava. Logo ele se viu com ciúmes da platéia dela e a quis somente para si, ela e seu brilho.

O ser tomou a Lua em seus braços e com sua capa a escondeu da platéia. Ela seria sua e de mais ninguém. A estrela então se viu confusa, dividida. O que deveria fazer? Não podia abandonar seus admiradores! Quem daria inspiração para os poetas? Paixão para os namorados? Alento para os abandonados? Não podia, simplesmente não podia abandonar seus amigos depois de tantas coisas que haviam passado. Com muito custo soltou-se dos braços do seu amante misterioso e voltou a dançar. No entanto, nunca ninguém a tinha segurado daquele jeito, nunca alguém lhe tinha sido antes tão necessário . Foi aí que se descobriu amando. E o amor era forte demais.

Seu coração estava partido. Seus admiradores ou seu amado? Depois de muito pensar nos bastidores encoberta pelas nuvens, ela chegou a uma decisão. Haveria de continuar dançando para as pessoas, mas de vez em quando se encontraria com seu amor e os dois dançariam juntos para quem quisesse ver. O seu amado teria o momento em que o brilho da Lua seria só dele, o momento em que a Lua abandonaria sua platéia para ficar com seu amor e com ele somente.

E assim, de tempos em tempos durante certos espetáculos da Lua, ela desaparece por total para ficar a sós com sua metade...Dando origem ao termo eclipse que na língua dos antigos que dizer abandono...O momento que ela abandona o palco para ir sonhar, para ir amar...



( Texto muito muito velho, desenterrado no além túmulo )