Friday, December 22, 2006

Como um passarinho


"E lá vou eu como passarinho, Sem destino nem sensatez, Sem dinheiro nem pra um pastel chinês." Voa Bicho

E que venha o mundo
Sonho com a vida das nuvens
Que estão no mundo todo

Da onde veio isso em mim? Da onde veio essa paixão, que beira a insanidade, pelo mundo e por todas as formas de vida? Da onde veio essa vontade de, num puxão de ar, engolir todos os ventos que sopram, até que eu mesma me transforme numa brisa? Da onde veio essa vontade de ver o pôr do sol do alto de todas as montanhas? Isso por vezes não faz sentido nenhum. O sol que brilha não é o mesmo? Por que eu quero tanto ver o pôr do sol na Austrália se eu posso ver da janela da minha casa? Não é mais cômodo?..... Não nasci para comodismo. Mas o medo me assombra.


Cantarei em todas as línguas todas as canções do mundo
Amarei com toda a minha alma todos os amores do mundo
Sentarei na beira do lago e com um fechar de olhos enxergarei o mundo todo
Sonho em me perder
Para em fim poder me encontrar
No mundo todo
Em qualquer parte do mundo

Às vezes sonho com alguém que vai entender essa minha ânsia de mundo sem nem mesmo nunca ter falado comigo. E como um cavaleiro (amazona) vai me mostrar como se voa.Mas eu esqueço que eu que construo o meu caminho e que ninguém vai poder bater as minhas asas no meu lugar....

"E lá vou eu como um passarinho, Como um bicho que sai do ninho. Sem vacilo nem dor na minha vez."

Sunday, December 10, 2006

Sinto falta

Sinto falta. Falta de acordar aos sábados de manhã para ir andar a cavalo aopodendo ficar até mais tarde curtindo o conforto de minha cama. De chegar à hípica com o sol recém saído, sentir aquela brisa gostosa provocando um farfalhar sonoro das árvores que sombreavam o caminho até as baias. Falta de chegar perto das baias, e de tentar, na ponta dos pés, olhar o magnífico animal que estaria lá dentro. Caminhava de baia em baia, apoiando com as mãos na porta para olhar e acariciar cada animal. De longe avistava alguns me olhando curiosos com as cabeças foras de suas baias. Aproximava-me lentamente, num misto de medo e admiração, estendia a minha mão e deixava que me cheirassem. O medo ia desaparecendo e me aproximava mais,e eu, que já sou pequena, me sentia menor ainda perante esse animais. O tempo parava enquanto eu me enxergava em seus grandes olhos negros, enquanto eu conversava baixinho com cada um deles, enquanto eu brincava com suas grossas crinas, fazendo tranças, entrelaçando meus dedos por entre os fios. Sinto falta do cheiro das baias, do cheiro dos animais. Tem gente que sei que vai me achar louca por gostar desses cheiros, mas hoje em dia, sempre que sinto odores como esses, imediatamente sou transportada àquela época. Sinto falta do som dos cascos batendo contra o chão, como uma música cuidadosamente preparada. Do modo como me seguiam quando eu os tirava da baia, e eles, naquele passo lento e cadenciado, como que agradecendo por lhes permitir respirar o ar do dia que nascia. Sinto falta do ritual de ver o tratador colocar-lhes a sela, o arreio, arrumar os estribos. Atentava-me em cada detalhe na esperança de um dia poder repetir esse ritual num animal que fosse só meu. Antes de montar, acariciava suas crinas, dava suaves tapinhas em suas largas testas como que pedindo para que fossem pacientes comigo. Sinto falta, de, em minha inicial falta de orientação, nunca saber qual era o lado certo de montar. Tinha medo, pedia ajuda do tratador para me colocar em cima dos animais. Lembro de como me senti grande no dia em que consegui subir na sela sem ajuda. Não que eu houvesse crescido, apenas havia perdido o medo, havia aprendido que não devemos temer esses belos animais, mas sim amá-los. Sinto falta do sentimento que tinha cada vez que eu montava em um animal. Via tudo mais longe. Lá em cima, me sentia poderosa, sentia-me capaz que chegar a qualquer lugar, traçar meus próprios horizontes e enfrentar qualquer obstáculo.
As aulas de montaria aconteciam ora em campo aberto ora em um picadeiro. Lembro que fiquei feliz ao entrar pela primeira vez em um picadeiro. Lembro que fiquei com medo quando fiz o cavalo trotar pela primeira vez. Mas foi um dos medos mais gostosos que já senti. Sinto falta de medos assim. Sinto falta de sentir o vento contra meu rosto me refrescando do calor do sol que ia esquentando cada vez mais a manhã. Meu instrutor sempre me chamava atenção porque eu, vira e mexe, me distraia acariciando as ancas e o pescoço do animal, me sentia sem graça e constrangida. Hoje vejo que não havia porque me sentir constrangida por motivos como aqueles. Sinto falta de sentir que o mundo sumia em nuvens de poeira levantadas pelas passadas dos animais , de sentir que todas as minhas tristezas ficavam para trás quando eu conseguia fazer o meu cavalo galopar, de sentir meu coração disparar quando meu instrutor aumentava a altura dos obstáculos à minha frente e depois de sentir meu coração bater mais leve quando conseguia passar por esses obstáculos sem derrubá-los. Sinto falta até mesmo dos tombos que hora ou outra eu tomava. Quisera eu que todos os tombos da vida fossem como àqueles. Limpava rápido a terra do corpo e corria atrás do animal para montá-lo novamente.
Por fim, sinto falta da leve tristeza que eu sentia quando a aula terminava e eu tinha que ir embora, mas sabia que essa tristeza só duraria até o próximo sábado, quando, novamente acordaria de manhã e entraria em um mundo me proporcionaria tantos sentimentos bons para sentir essa gostosa saudade.

Thursday, November 30, 2006

Face, Fase, Faze....reais mentiras

Face, Fase, Faze....reais mentiras


E eu brinco de me esconder
Entre caras e bocas
Em meu pseudo-intelectualoidismo
Eu finjo compreender o mundo
E lutar pela paz
Através dos meus óculos de aro preto
Mal me reconheço como humana
De modos desconhecidos e sombrios
Fujo do mundo e me refugio num mundo só meu
Num mundo onde meus conceitos são verdade
E meu ego inflado, alcança as alturas
Um mundo onde posso assumir a forme que quiser
E calar a voz do catolicismo de classe média
Que me diz que devo me comportar como uma moça de família
E não como uma pomba gira
Entre caras e bocas
Barganho a atenção de vocês
E perturbo o cotidiano de vocês
Com verdades que não devem ser ditas
Mas que todo mundo sabe
No meu mundo, quando eu falo, todo mundo se cala
E eu me sinto satisfeita com minha pseudo-complexidade idolatrada e encerrada
Num pedestal de diamantes

Cansei de minhas caras e bocas
Cansei do mundo
E vou me acomodar em minha fútil existência
Largar o mundo de mão (como se, de fato, eu algum dia pudesse ter feito algo por ele)
Agora vou dormir na minha cama maravilhosa com meu travesseiro macio e cobertas quentinhas.
E vou abrir mão do mundo e esquecer que enquanto eu gozo
Pessoas morrem

Saturday, November 11, 2006

Sorrisos insustentáveis
O corpo sorri a custa das lágrimas da alma
Quero alguém que me ame
Pelo brilho nos meus olhos
Pelo retumbar do meu coração
Pelas minhas pintas espalhadas pelo meu corpo
Pela disposição das linhas em minhas mãos
Cansei
Cansei da ode à minha carne
Onde minha alma permanece encoberta
Cansei
Cansei de ter que agradecer
A elogios sobre minha pele, á minha casca
Ame-me em silêncio
Enquanto durmo
Ame-me sem encostar-se a mim
Roçando somente sua alma na minha
Ame-me pela minha existência sobre a terra
Não pela minha existência na sua vida
Não quero que você seja uma nuvem em minha vida
Quero que você chova, que troveje e relampeje
Que me faça sentir viva
Ardente em fogo
Ainda que não haja chama que sobreviva
Muito tempo em uma tempestade

Sunday, October 01, 2006

Borboletas de Infinito

Borboletas de Infinito

Nesse momento recém mundo,
ouço a velhice das asas, um rangido
das borboletas d'um finito findo
Fijo já ser surdo o mundo
e às Borboletas de Infinito fujo...

Wednesday, September 13, 2006

Borboletas

Sentada no topo do mundo, brincando de palavras cruzadas
Vi que borboletas azuis são feitas de oceano
E que o oceano é feito das gotas do céu
Calculando, quem sabe, o ponto onde o céu e o oceano se encontram
Eu não acabe por encontrar uma borboleta azul?