Tuesday, December 01, 2009
O dinheiro sobra dali...e falta daqui
- Mas minha gente, eu coloco dinheiro na cueca pra ir comprar panetone para as famílias carentes!
É isso ai...cada povo tem o governo que merece...
Colcha de retalhos
As lembranças são como uma colcha de retalho: cuidadosamente costuradas por mãos calejadas de esperança, fios de saudade, agulha feita de sonhos que não se cumpriram e os retalhos...Ah!!..Os retalhos são aqueles pedacinhos da vida memoráveis que dão gosto de costurar assim, montando um desenho totalmente novo de futuro!
Tuesday, October 27, 2009
A falta...
Hoje acordei num susto, sem fôlego, sentindo que estava faltando algo, como há muito tempo eu não sentia. Foi me dando aquela angústia, aquele aperto vazio tão típico. Girei na cama na esperança de que se eu mudasse de posição um numero de vezes suficiente, balançando todo meu corpo, eu seria capaz de colocar de volta no lugar aquilo que parecia estar faltando. Mas não adiantou, aquele sentimento de falta continuava lá, me sufocando. Levantei no quarto ainda com as janelas fechadas, tudo escuro e me dirigi ao banheiro. Lavei o rosto e ao olhar no espelho já não me reconhecia mais! Que diabos estava acontecendo, eu estava ainda em um pesadelo? Brincadeira de mau gosto? Queria de volta aquilo que havia sido tomado de mim, mesmo eu não sabendo ainda o que seria, eu me queria de volta, queria me olhar no espelho e me reconhecer novamente!
Abri a janela em pânico, com um grito abafado na garganta, na esperança de que os raios quentes de sol me fizessem acordar no mundo em que eu conhecia. Mas não aconteceu. O céu estava azul, o sol brilhando ainda fresco pois era começo do dia e um passarinho pousou no fio de luz em frente á minha janela. Sorri.
Sorri como há muito tempo eu não sorria, um sorriso vindo do fundo da alma, naquele lugarzinho que eu tinha trancado a sete chaves e tentado esquecer. Aquele lugarzinho chamado felicidade. Aos poucos fui identificando o que estava faltando, o vazio que estava me consumindo era o vazio deixado por toda carga pesada de ódios, tristeza, mágoas e rancores que eu já havia me acostumado carregar por tanto tempo. A pessoa que eu vira no espelho não era mais aquela com os olhos fundos de tanto chorar e com a qual eu já havia me acostumado comprimentar todas as últimas manhãs. Essa leveza toda me estranhava, a leveza da paz e da liberdade que fazia tempo que eu tinha cortado do meu cardápio.Estava tão leve que tinha medo de uma brisa me levar embora.
Hoje acordei vazia. Vazia de ódios, vazia de frustrações e vendo esse vazio tão grande percebi como era pesada a carga que eu carregava na alma e mal percebia. Tinha virado uma das mulheres mais fortes do mundo porque eu conseguia carregar todo esse peso mas a mais fraca dos seres humanos pois não conseguia carregar 10 gramas de perdão.
Mas confesso que tenho medo desse mundo novo, tenho medo dessas asas que eu não sei usar, tenho medo de toda essa felicidade e paz que invadiram a minha vida subitamente. Antes era tudo tão previsível: amanhã eu vou acordar, regar minha plantinha de mágoas, fechar os olhos para a beleza do mundo, resmungar o previsível, me cansar, chorar, ruminar dores na hora do almoço, lanchar um pedacinho de tristeza com cobertura de frutrações e ir dormir com o estômago vazio de qualquer sentimento minimamente bom. Agora todo esse mundão cheio de coisas maravilhosas para acontecer, olhando pra mim e me chamando...me assusta. Tenho receio que esse medo todo do novo me leve de volta para o buraquinho escuro do passado tão dolorido mas ao mesmo tempo tão seguro. O previsível é seguro, por pior que ele seja, estive acostumada ao previsível por muito tempo e agora com as rédeas de novo na minha mão...posso ir para qualquer lugar. QUALQUER LUGAR! Até aquele tão temido chamado felicidade.
Thursday, September 24, 2009
O Concreto desconcretizar
A minha poesia concreta se desconcretiza
Na mesma velocidade em que o sol se põem
Alto lá, no horizonte
Na mesma velocidade
Em que eu brinco de esconde-esconde
Com a minha própria sombra
Na mesma velocidade
Com que eu nasço e renasço de minhas cinzas
O des-concreto escorre pela calçada quente do meio dia
E corre até virar rio
E corre até virar mar
E corre até virar ar
E corre até virar o mundo inteiro
Não quero mais o eu-concreto
Me quero em todas as forma
Me quero em sua forma
Quero a minha forma na sua forma
A nossa forma (des) concretizada
Em algo que se re-concretiza em todo lugar
Sunday, July 05, 2009
Pássaro Azul
O cinza foi tornando-se verde, o bege tornou-se amarelo, o preto virou violeta-avermelhado e da suas asas azuis furta-cor surgiram todas as demais cores que antes estavam faltando. Fiquei, como posso dizer...Boba. Nunca havia visto tantas cores na minha vida. Cheguei a pensar por muito tempo que todas as lágrimas corridas dos meus olhos tinham levado consigo a minha capacidade de enxergar colorido! Que surpresa agradável estava então acontecendo...
No entanto, tenro como chegou, suavemente partiu embalado pelas brisas leves da primavera que se aproximava. E levando embora debaixo de suas asas, foi-se todo meu inverno que eu pensei que seria eterno.
Não, não vou te prender, meu pássaro azul, que não é meu nem de ninguém. Sei que o seu azul em uma gaiola não tardar ficaria sem vida.Quero você livre para voar colorindo outros mundos tão acinzentados como era o meu. Quero o seu azul furta-cor colorindo o universo inteiro.
O melhor presente você já me deu: foi me trazer de volta a uma vida que eu achei que não era mais minha...
Tuesday, June 30, 2009
Não sei como vou acordar amanhã, sei também que isso não é do interesse de todas as pessoas que acabam por aqui..mas mesmo assim escrevo porque quando escrevo eu me torno essencial, eu me torno necessária...eu olho para um espelho traduzido em palavras e fico calma quando as leio. Mesmo sabendo que aparentemente nada do que escrevo aqui faz sentido para quem vê de fora...fico feliz porque estou fazendo sentido para mim mesma...como se murmurando pensamentos em voz alta no meio da biblioteca abarrotada em épocas de provas. Um momento egocentricamente meu...egoisticamente meu...um momento meu que eu roubo de um momento de todos
Sou uma pessoas altamente sensível, no sentido que recebo facilmente as sensações externas, e que nessa minha sensibilidade...tudo que recebo revira muitas vezes tudo em mim de cabeça para baixo....talvez isso explique porque em grande parte do tempo eu me sinta meio caótica.
“ há meros devaneios tolos a me torturar” hoje eu te cantei isso....sentada na grama olhando para as plantas para não te encarar. Você não entendeu, não tinha como entender...e jamais entenderá...e fico feliz e relaxada com isso..quem sabe segura! Me escondo porque tenho medo...medo que zombes de meus devaneios tolos. Mas ao mesmo tempo...creio que me escondo na linha de frente de uma batalha que eu racionalmente não quero lutar, mas como sou um ser regido por emoções...cá estou, mesmo sabendo que a derrota é iminente,
Quem chegou aqui até o final....meus parabéns.....se você leu apensar essa linha, não se preocupe com o conteúdo do meu texto...ele fala apenas de meros devaneios tolos que me torturam.
Beijos..abraços...e a sublimidade de um algodão doce. No mais, “estou indo embora, baby”....
(04/05/2006)
Wednesday, April 22, 2009
“E quando tudo parou, não neguei um suspiro.”
Não sei o que houve, mas não consegui mais tirar os olhos dele. Parei de comer a minha banana e esqueci de mastigar o pedaço que estava em minha boca. Ele andava leve, indiferente aos impertinentes pequenos pingos de chuva que caiam. Eu passei a observar cada passo, cada sutil movimento seu, como um filme em câmera lenta. Nessa sua sutil leveza, o vi tirando uma gaita do bolso. Ainda nessa leveza, levou a gaita à boca, envolveu-a com as duas mãos em formato de concha e resumiu todo aquele momento em firmes, ao mesmo tempo em que suaves, notas musicais.
Naquele instante tudo mais parou, a única coisa que se movimentava era o rapaz, atravessando o espaço delimitado pelo vidro da frente do meu carro como se fosse a moldura de um quadro. A música servia de tinta. Já nem me lembrava mais que, alguns segundos atrás, comia esfomeadamente uma banana. Os policiais, que antes se ocupavam em murmurar entre si alguma fofoca, algum comentário para passar o tempo, calaram-se ao mesmo instante. Com os olhos, perseguiram aquele rapaz, como que o culpando por causar uma paz instantânea e sublime para aquele local, como que dizendo : “saia daqui rapaz, sem a desordem não temos trabalho. Se você ficar aí distraindo as pessoas com essa música, não teremos a quem prender, e seremos demitidos”. Eles o analisaram de cima abaixo, procurando qualquer sinal que fosse o suficiente para prendê-lo. A sua roupa meio desalinhada, seu cabelo despenteado, seu olhar displicente ou sua leveza momentaneamente sobre-humana, qualquer coisa que eles pudessem alegar como infrações à lei. Não encontraram nada. Naquele momento perfeito, nem eles conseguiram achar defeito.
Ele continuou caminhando e tocando, até que sumiu de minha visão. Por todo esse momento, senti-me como um ratinho vitima do flautista de Hamelin, indefesa ao som de sua música. Tentei voltar a ver a sua imagem, nem que fosse no canto do meu olho, ou ouvir as suaves notas de sua gaita, ainda que estivessem quase inaudíveis. Mas não consegui, aquele momento se havia acabado. O quadro pintado no vidro do meu carro, foi lavado pelas gotas de chuva que ainda corriam. Os policiais voltaram a fofocar e eu terminei de mastigar o pedaço de banana que ainda estava em minha boca. Soltei um longo suspiro, tinha esquecido de respirar. Abri a porta do carro de deixei que as gotas me molhassem.
13/11/2006
Saturday, April 11, 2009
Amor-zumbi
Acredite, amor também morre. Até aquele pra sempre. Principalmente aquele pra sempre, esse é o primeiro a morrer. E graças a Deus ele morre. Não digo que morre assim, pá pum, de uma vez, igual bandido tomando bala de PM no morro do Rio (ou vice versa...) Antes fosse assim. A vida de todo mundo, creio, seria mais fácil. Bem mais fácil.
Mas o que acontece é que amor é uma categoria especial de zumbi. Vira e mexe, quando você acha que o dito cujo finalmente passou dessa para uma pior, ele volta e agarra no seu pé. Mas não se preocupem, e só mirar na cabeça, desmembrar e queimar. Uma leitura muito recomendada nesses casos de amor zumbi é “O guia de sobrevivencia aos zumbis”.
Mas desde já posso dar algumas dicas, pois creio que todo mundo um dia vai ter problemas com amor-zumbi. Primeiro, por mais que o zumbi pareça em tudo com a pessoa que um dia você amou, não se esqueça, ele continua sendo um zumbi e a coisa mais importante a se fazer essa hora é: não escute o que ele fala! Todos os amor-zumbis têm o mesmo discurso : desculpa, não queria te deixar triste, eu ainda te amo, você é a razão da minha vida, eu ainda quero passar o resto da minha vida com você..bla bla bla, grunhidos indecifráveis bla bla bla...e coisas que normalmente não fogem desse padrão. Mas isso é uma tentativa do zumbi te distrair para se aproximar de você e comer o seu coração ( amor-zumbi come coração e não cérebro como os outros tipos de zumbis). Repito, não dê ouvidos ao que ele diz e nunca, NUNCA, tente argumentar ou entender o que ele diz. Não se esqueça, ele é um ZUMBI. Zumbis não falam coisa alguma com sentido. Argumentar é pedir para morrer e ter seu coração arrancado A melhor coisa a fazer sempre é atirar, esfaquear, arrancar a cabeça e queimar.
É, não digo que vai ser tão fácil assim. Mas você sempre tem que ter em mente que é uma questão de sobrevivência. Por mais que doa arrancar a cabeça do zumbi da pessoa que você amou tanto um dia e depois queimar o corpo esquartejado na fogueira, garanto que você se sentirá muito mais feliz e seguro logo em seguida.
Outra coisa muito importante para se fazer é se livrar de todas as coisas que o zumbi, ainda em vida, deu para você. Jogue tudo fora, melhor queimar tudo na verdade. Não há como ter certeza de que as coisas não estão contaminadas com um vírus zumbi temporariamente inativo. Melhor prevenir do que remediar. Fotinhos, bilhetinhos, presentinho, bichinhos, cartinhas...se livrem o mais rápido possível de todos os inhos e inhas.
Depois de todo o serviço bem feito, agora você pode descansar. Faça um pequeno luto, mais ou menos 10 minutos em memória ao defunto. Pode até chorar, mas não muito. Tenha sempre em mente que o que você matou era um amor-zumbi, e não um amor de verdade. Não tem lá muito sentindo ficar chorando por um zumbi que há pouco tempo atrás estava correndo e espumando querendo arrancar e comer seu coração.
E de resto, aproveita o que a vida ainda tem para te dar! Que é muita, mas muita coisa mesmo! Mas lembre-se sempre de andar com seu “O guia de sobrevivência aos zumbis” no bolso....você nunca sabe bem quando seu proximo amor vai virar um zumbi.
Tuesday, March 24, 2009
Santa Chuva
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade...
Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...
Tuesday, February 10, 2009
Saturday, February 07, 2009
Não, a gente não morre.
Por mais que a gente lute contra, o sol vai nascer, dia após dia, e o mundo, por mais que a gente não aceite, vai continuar sendo um lugar bonito para se viver. Os órgão tomam os seus devidos lugares, as flores começam a voltar com suas cores lindas e brilhantes, o vento sopra e faz nossa alma voar leve novamente. O mundo não é mais um borrão de lágrimas e a gente reaprende a sorrir.
Não, por mais que ficar sem a pessoa que a gente ama seja quase como morrer, relaxe. A gente não morre, pelo contrário, nos tornamos muito, mas muito mais forte. Fortes pra continuar andando nesse mundão véi de Deus.
Wednesday, January 21, 2009
Monday, January 12, 2009
Mosquito da saudade
Estava lá eu, na minha pacata vida, no olhar abestado da neve caindo da janela, não querendo pensar em nada, sabe? E foi desse meu abestalhamento que ele tomou proveito, o mosquito tonto da saudade. Pousou dessa vez bem dentro do meu olho e a única coisa que me restou foi começar a chorar pra ver se eu mandava o maldito embora. Chorei, chorei, chorei.
Chorei de saudade do que foi, do que é o do que ainda vai ser. Esses mosquitos são meio perigosos, sabe? Todo mundo que é atacado por eles fica assim meio bobo, chorando à toa pelos cantos, chorando vendo foto, chorando lendo carta, e-mail, vendo o sol, a lua....Tanta gente morrendo de sede eu aqui jogando água pelos olhos! Mas será que dá pra beber essa água que vai dos olhos? Pena que é tão salgada....Senão o problema do Mundo tava é resolvido, era só todo mundo começar a chorar de saudade que acabava com o problema de falta d’àgua a torto e a direito. Por que saudade todo mundo tem de sobra, né não?
Monday, November 17, 2008
Você, meu senhor, por acaso tem todas as respostas?
Me surpreendi. Quando abri a porta e antes de abrir a boca para lhe dizer que fosse incomodar o vizinho, ele foi mais rápido e perguntou-me : "Você tem respostas?" Fiquei em silêncio. Observei-o estagnada, de cima para baixo, não me lembro se estava bem ou mal vestido, não me lembro da cor de seu cabelo, olhos ou pele. Lembro-me somente do meu reflexo nos seus olhos, minha cara de espanto.
Dei-lhe um prato de comida, água e todo o dinheiro que eu tinha no bolso. Ele negou. Tudo. Fiquei ainda mais pasma. Absurdo!! Senti-me só, insultada, triste e com medo pois eu tinha tudo, menos o mais importante, as respostas. Odiei-o por alguns minutos pois nunca havia me sentindo mais vulnerável em toda a minha vida! Ninguém teria o direito de chegar em minha casa, em pleno domingo, e soprar meu castelo de cartas tão cuidadosamente montado durante anos. Preferia andar nua em frente a uma multidão. Antes de eu abrir a boca para insultá-lo e fechar a porta na sua cara, ele segurou minha mão de uma maneira suave, como que me acalmando e me disse: "ache as perguntas. Depois pense nas respostas." E Partiu. Virou o corredor e sumiu. Fiquei perdida mas ao mesmo tempo me sentia mais calma. Água quente nos pés cansados, não resolve mais ajuda.
Saturday, November 15, 2008
Só
Saturday, April 12, 2008
Um quê.
Ele tinha um quê de paz torta dos homens. Andava cabriolado por entre as luzes da calçada, chutando qualquer lata no meio do caminho. Usava um terno preto e uma gravata azul que pendia em seu pescoço como um pêndulo marcando o tempo que faltava em sua vida, ou o tempo que sobrava. “Tudo é relativo, ele pensava” enquanto passava pelo parque e sentia inveja do mendigo que dormia no banco coberto por jornais. “Pelo menos ele não tem que pagar conta de luz por todas essas estrelas que iluminam o seu céu. Sem falar que nem precisa assistir jornal para se manter informado, mais envolto em notícias que ele, impossível.”
Ele tinha um quê do buquê murcho de rosas e margaridas que carregava na mão direita. Hora e outra, ele parava debaixo de um poste e cheirava as flores. “As flores de plástico não morrem”, cantarolou baixinho para si mesmo.
E daí, meu caros leitores, que ele tenha hipnotizantes olhos furta-cor? Debaixo de seu terno já sujo e desalinhado, tinha um corpo cansado e uma alma frustrada de viver dia após dias onde o sol nasce sempre amarelo, o céu quase sempre é azul e bandinhas com guitarras coloridas sempre tocarão em bares ûndergraundi. De qualquer forma ele nunca vai ouvir a resposta adequada para suas perguntas. Talvez porque ele não saiba fazer as perguntas certas, ou quem sabe as respostas não existam nessa dimensão ou não são emitidas em uma freqüência captada por seus ouvidos humanóides. Quem sabe se ele tentasse perguntar àquele cachorro, que dia após dia se senta debaixo da mesa do buteco nosso de cada dia, obtivesse as respostas que tanto anseia? Os Totós ouvem melhor do que a gente na maior parte do tempo.
O fato maior entre todos os fatos, é que essa noite ele poderia chutar o Totó que possuísse as respostas para todas as sua perguntas em troca do buquê que ele carrega na mão direita estar agora num vaso verde e branco com detalhes vermelhos e com água até a boca, em troca de possuir não um quê da paz torta do homens, mas possuir um quê dos caos absoluto dos enamorados.
Mas a vida não funciona assim, né? E lá vai o homem cabriolado, ora fugindo da luz e correndo para sombra, possuindo um grande quê dos rejeitados.
Friday, April 11, 2008
Respirações

Respirações presas, pausadas e profundas. Parece-me, às vezes, difícil de respirar, talvez, quem sabe, porque eu queira respirar o mundo inteiro numa só golfada de ar. Encho o pulmão, abro a boca para tentar respirar o mais fundo que puder e paro. Paro de respirar. Agora tenho, aqui dentro de mim, partículas do mundo que tanto anseio. Elas agora fazem parte de mim e não quero deixá-las mais sair. Mas elas lutam, querem voltar para o mundo. Quando egoísmo meu querê-las só para mim! Elas ainda têm que percorrer tantos lugares, fazer parte de outras tantas pessoas. Se elas ficassem só para mim, perderiam sua mágica de pertencer ao mundo todo. Vou soltando-as devagar, sentindo-as passar pela minha boca e pelo meu nariz. Sentindo o gosto e o cheiro que cada uma trás. Cheiro dos ventos das montanhas mais altas, gosto da cor das flores mais azuis, cheiro do seu corpo junto ao meu, gosto dos seus olhos em mim, cheiro de mar, gosto de rio, gosto do som do canto de todos os pássaros. Vou sentindo e apreciando cada cheiro e cada gostinho, me despedindo de cada um desses pedacinhos de mundo. Pulmão vazio é o ar que se esvai e o mundo que me deixa. Só. Só comigo mesma. Mas dessa vez não tão mais só porque sei que pedacinhos deste mundo correm agora em minhas veias e que pedacinhos de mim andam agora pelo mundo, em lugares que, de outra forma, eu não poderia visitar. A solidão não dura muito, aspiro o ar novamente e ganho o mundo inteiro.
Wednesday, August 22, 2007
Culpado
Mas mesmo assim fui te ver,
Até uma flor levei,
Mas não estavas.
Tentei falar contigo,
Mas não respondeste.
E agora
A flor murchou
E eu com ela...
(Poema bem inveridico na parte final, porque na verdade eu nao murchei, e por isso a flor tmb nao. Ando numa fase muito nao sei, mas sei que gosto muito dela e que estou magoado...)